Minha filha e eu vendo estrelas. Ou a menina que pergunta

A nebulosa Carina não está na exibição do planetário, mas por motivos óbvios está aqui.

No começo do ano levamos Cecilia ao Planetário. Foi uma experiência assombrosa, que me levou de volta à infância candanga – uma menina, olhando as estrelas imaginárias, projetadas, naquela mesma sala. Ao mesmo tempo, me jogou na cara (como todos os dias) o assombro que é a infância de nossos filhos.

Cecilia é maria curia por natureza. Muito mais que eu jamais fui. Ainda assim, poucas vezes a vimos tão eufórica, em um ritmo de perguntas frenético, olhando para o céu do planetário e vendo constelações se formarem, o tempo passar, o universo nascer. Era como se todas as Lunas, Emílias, Pippis, Julietas quisessem saber tudo. Era Cecilia querendo saber de tudo. Tudo de uma vez.

Mal acabava uma resposta, começava outra pergunta.

E não é assim com tudo: uma resposta, que nunca é completa, deixa sempre uma porta aberta?

Se Cecilia é perguntadeira, somos respondedores. Até agora, não deixamos de responder nada, mesmo que às vezes fiquemos vexados (pra lá de vexados). O que não sabemos, pesquisamos pra explicar – da maneira adequada para uma menina de, agora, 4 anos.

Nem tudo tem fácil resposta, nem toda pergunta é leve. Desde que nos pergunta, Cecilia já passou pelos porquês, pelos “o quês” concretos e abstratos e pelos comos. Agora está nos porquês sentimentais. O que a assombra e incita é entender por que as pessoas amam, por que são más, por que morrem, por que as coisas são boas ou ruins.

Pra gente, não existe criança inconveniente, não existe criança perguntadeira. Existe uma sujeita que quer entender o mundo em que está há pouco tempo, para atuar nele, – e que tem todo o direito de fazê-lo, do jeito que conhece: perguntando (o que é um mecanismo de busca senão nosso desejo/direito de entender o mundo?).

A curiosidade é a mãe do conhecimento, da ciência, do jornalismo, do pensamento, da conjectura, da dúvida, da descoberta. É a mãe de saber. A ignorância pode ser uma benção, mas é também paralisante.

Cecilia pode não entender o universo, os buracos negros e as estrelas. Como eu entendo pouco de todas essas coisas. Mas ela quer saber e, enquanto ela quiser saber, vamos tentar ajudá-la.

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