Sábado

Sábado é o nome do livro de Ian McEwan que terminei dia desses, minha leitura interminável das madrugadas antes de dormir no ipad. Livro estranho. Sentimentos ambíguos.

Tenho sentimentos ambíguos sobre muitos dias. Tenho muitos sentimentos ambíguos sobre minha maternidade. Amo-a, mas metade do tempo me sinto fracassando na tarefa.

A outra metade do tempo é simplesmente maravilhosa.

O tanto de vezes que sou chamada ao longo do dia – para pegar um brinquedo, arrumar um cabelo, passar pomada, brincar, ficar do lado, servir água, dar biscoito, encher piscina, pintar, não pintar, brincar de jacaré, colocar dvd, trocar canal, limpar cocô – às vezes dá um zumbido no fundo do ouvido.

As tentativas infrutíferas de educar sem brigar me jogam no fundo do buraco cavado pelo coveiro. “Mamãe pediu”, “por favor”, “não faz assim”, “escuta a mamãe”, “mamãe tá ensinando”, “Vou contar até três pra isso acabar, senão…” (Senão qualquer coisa: senão choro, senão guardo todos os brinquedos em cima do guarda-roupa, senão não tem chocolate domingo).

E basta um sorriso para desarmar e fazer esquecer tudo o que dava vontade de ir para o quarto escuro chorar.

Juntas, no banho, Cecilia no meu colo canta “Ensaboa” enquanto a água cai nas costas dela. Rodopio pelo box. “Tá bom, filha?”, “Tá uma delícia, mamãe. Te amo.”

Que venham os domingos.Pixabay

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