A teoria dos brinquedos

kitopqQuando era criança, me parecia que tinha infinitos brinquedos – talvez tivesse, mesmo. Adorava, especialmente, coleções. Moranguinho, bebezinhos, barbies, susies, fofoletes e etc. Brincar de brinquedos era uma coisa tão legal que pratiquei a atividade com afinco até a época de faculdade.

Ainda hoje, tenho alguns legos que monto e desmonto quando preciso desopilar, relaxar ou tentar resolver problemas complexos. Esses são meus, só meus. Cecilia ainda nem os descobriu.

É porque gosto tanto de brinquedos e de brincar que sempre demos muita importância a isso aqui em casa. O primeiro brinquedo preferido de Cecilia foi uma centopeia de pendurar que ficava acima do carrinho dela, ainda bebê. Ela olhava e, se o brinquedo mexia, as pernas enlouqueciam. Depois ela adorou outra centopeia, e por aí foi.

Até um ano e pouco, comprar brinquedos era simples: como a neurociência já ensinou, bebês preferem cores vivas, fortes e contrastantes. Brinquedos legais dessa idade não têm distinção de gêneros e são lindamente coloridos.

Mas aí… num instante o mundo passa a se dividir em tons de rosa, poucos pastéis, e azuis.

O problema é que o feminismo e a psicologia também já ensinaram – mas parece que ninguém ouviu – que, quando as crianças crescem, a variação de cores pode continuar. Não bastasse a paleta monocromática, tudo parece precisar ter um “personagem”: a colher da princesinha, o boliche do heroizinho, a bola do cartoon…

Se você não quer transformar sua filha num cupcake pink ou num outdoor ambulante de personagens e licenciamentos (falo sobre isso depois), precisa garimpar.

Minha primeira procura revelou uma descoberta: fugir dos brinquedos enlatados custa caro.

(Foi então que comprei alguns brinquedos no xingling e me arrependi depois, porque o preço baixo dos expresses da vida podem mascarar condições de trabalho desumanas e contaminações por criptonita…)

Sim, é caro mesmo. Os brinquedos costumam ser artesanais. Não há produção em massa, não há patrocínio de grandes empresas, nem royalties de licenciamento. Os brinquedos legais importados costumam ser baratos – lá fora. Com o dólar na via láctea, não dá pra pensar nisso.

O que também é legal: comprar brinquedos artesanais, coloridos, sem tantos licenciamentos e nacionais incentiva a indústria de brinquedos brasileira.

O inevitável é que vamos comprar menos brinquedos. Tudo bem.

Aqui em casa também tem alguns brinquedos baratinhos e incríveis como as bolinhas de um real da padaria (Cecilia tem uma caixa delas, que servem pra tudo, desde comidinha até leite da mamadeira dos bonecos de pelúcia), as ferramentas de “consertar parede”, a peteca e, confesso, uma tonelada de herança dos meus brinquedos de Mclanche Feliz quando eu morava numa cidade com fast food.

No Natal passado, quisemos dar panelinhas, mas por onde andava e clicava só encontrava conjuntos de panelas corderosa estampadas com princesas, menininhas e uma girliness entediante. Recorri à A de Aurelia e a marca para crianças dela, Aurelia Pichoun. Pronto. Um conjunto de panelas vermelhas de alumínio sem decoração e ar vintage.

aureliapichounPara o aniversário deste ano, compramos adiantado (e está guardada num armário alto) uma casinha de madeira da Kitopeq, sonho antigo que só foi possível graças a uma promoção. Da Kitopeq queria todo o catálogo, o que é impossível no momento ($). Da Aurélia também, mas igualmente não temos dinheiro para todas as coisas lindas que ela faz.

Idem apaixonantes e brasileiros são os brinquedos da CAS, como os animais típicos da fauna brasileira + filhotes. Por enquanto, Cecilia tem um boto.

Na política dos brinquedos aqui de casa também tem trator, trenzinho e hot wheels, porque mulher também dirige e conserta o mundo.

Segue, então, um resumo rápido para resumir a teoria dos brinquedos:

– brinquedos cor de rosa

+ brinquedos artesanais

+ brinquedos brasileiros

– brinquedos licenciados

+ brinquedos sem gênero

= o brinquedo de que Cecilia mais gosta é um porquinho rosa de pelos arrepiados bem tosco e molenga dado por minha mãe.

E por isso a infância é tão maravilhosa: a gente traça os caminhos para os filhos, mas eles pulam por onde desejam.

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