Meninas superpoderosas

Cabeleira.
Cabeleira.

Essas meninas superpoderosas aqui não usam capas, não são esquentadinhas nem chutam versões travestis de diabo. Também não são princesas, mocinhas, fofinhas. São futuras mulheres badass, estrelas dos filmes empoderados que gosto de ver.

São as meninas normais audiovisuais da primeira infância, gente como a gente, a que gosto de ver, com Cecilia, na tv.

Merida (Valente): aqueles cabelos vermelhos já contêm mais rebeldia que todas as princesas Disney juntas. Como bônus, ela se veste de verde-escuro, pratica arco e flecha, cavalga e não quer um casamento por encomenda. Minha princesa preferida (Cecilia fica mais fascinada com o urso, mas, bem, ela tem 2 anos. E os cabelos já a conquistaram).

Doutora brinquedos (idem): a protagonista é negra, praticamente não usa rosa e, filha de médica, deseja ser “doutora” com a mãe. Em cada episódio ela “conserta” um brinquedo, e as lições envolvem tanto cuidados com bichinhos quanto aprendizados para as crianças.

Luna (O show da Luna): a menina mais curiosa do universo. Os episódios envolvem experiências científicas e perguntas relatvas ao céu, às cores, aos cheiros, aos vegetais. Ela quer saber tudo que está acontecendo, como diz a música. Uma inspiração para futuras Maries Curies. Como bônus: é brasileiro.

Emília e Narizinho (Sítio do Pica-pau Amarelo – desenho animado): Emília é atrevida, faladeira, desbocada, mas é também uma boneca livre, sapeca, impetuosa, corajosa, criativa. Tem pais que não gostam porque dizem que ela grita e é respondona. De fato, mas é preciso ver além disso. Narizinho, a dona dela, brinca de bonecas, mas também vai muito além de menininha. Mergulha, escala, sobe, pula. Não deve nada a Pedrinho. Outro bônus: também nacionais. E ainda têm os livros do Monteiro Lobato, as versões com pessoas para TV.

Lilo (Lilo e Stitch o filme e desenhos subsequentes): uma menina gordinha, havaiana, de olhões, invocada. O melhor amigo dela é um extraterrestre endiabrado. Lilo até tem um vestido florido fofo, mas prefere shorts (que todas nós, mães, também preferimos, senão de que jeito a menina pode subir, pular, escalar, plantar, escavar?).

Dora (Dora, a aventureira): não gosto do jeito mandão do desenho, que fica ensinando inglês pras crianças que nem pediram. Também não gosto que eles interpelem minha filha. Mas ainda é uma boa opção para fugir dos castelos, babados e fricotes. Dora e o macaco Botas viajam pelo mundo resolvendo problemas alheios.

Masha, a menina mais chata e legal da Rússia.

Masha (Masha and Bear): Cecilia chama de “chapeuzinho vermelho” – apesar de ser rosa. Ela não ensina quase nada, mal fala. Em geral, atrapalha a vida do urso que trabalhou num circo e dos animais do bosque. Apesar de muito levada, tem um coração enorme. É o desenho mais transgressor, direto e terno que vi nos últimos tempos. É russo, o que explica muita coisa.

Em tempo: sobre Meninas Superpoderosas, Mulan, Três Espiãs Demais – todas heroínas à moda – e feminismos, tem uma tese bacanérrima da Liliane Machado.

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