Dona Aracne

Foto: Pixabay/CCA dona aranha subiu pela parede. Veio a chuva forte e a derrubou.

Dona aranha é teimosa e desobediente. Nunca está contente.

Dona aranha, Aracne, era a mais hábil tecelã grega. Despertou a fúria de Atena. Em duelo, desafiou a deusa da sabedoria (e invejosa). Enquanto Atena tecia as maravilhas dos deuses na humanidade, Aracne construía uma tapeçaria que mostrava os crimes dos deuses contra as mulheres.

Com ódio, Atena rasgou o tapete. Aracne quis se matar, mas a deusa a impediu.

“Viva, viva, menina maldita, mas fique pendurada. E para que nada espere de melhor para o futuro, que o mesmo castigo recaia sobre sua geração e descendentes.”

Como aranha, Aracne recomeçou a tecer para e pela eternidade.

(Trecho de Ovídio recontado por Andrea Nye no prólogo de Teoria Feminista e as Filosofias do homem)

Prefiro pensar na dona aranha assim, como o mito. A velha artesã resiliente, empoderada e talentosa, que tem coragem de desvelar o que a autoridade tem feito, há milênios, contra a mulher. Que nunca desiste.

Não é à toa que foi punida. Mas ainda está lá, pendurada, sempre por um fio; sempre capaz de escalar novamente aquela finíssima teia depois de qualquer tempestade.

(Não é à toa que a teia, a tessitura e o ato de tecer são metáforas tão poderosas.)

Dona aranha é uma das canções preferidas aqui em casa.

Por todas as aracnes que ousam ser teimosas, desobedientes e descontentes.

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