Cruzada contra o cantinho do pensamento

Foto: Museu de Lincolnshire/CC​Na escola sexista de Cecilia, ano passado, ​fomos chamados para uma reunião, chá, convescote, para conhecer a equipe e as diretrizes pedagógicas.
Construtivismo, lúdico, infância, brincar. Palavras típicas para uma reunião de pais de pequenos estudantes de 1 a 2 anos.
Eis que de repente surge o tal “cantinho do pensamento”, lugar para onde são mandadas as crianças que não cumprem combinados, desobedientes, enérgicas demais, ativas. Crianças de menos de dois anos, enfim.
Arregalamos os olhos. Gelei por dentro. Pedi reunião com a coordenadora pedagógica. Nunca tinha ouvido falar nisso.
Ficamos pensando no que essa punição representa para uma criança dessa idade:
1. A criança obviamente não vai pensar no ato errado, porque ainda não opera com esse refinamento intelectual;
2. A criança vai ser publicamente exposta, na frente dos colegas. Vai sr singularizada e obrigada a ficar de “castigo”, sentadinha por uns cinco minutos, apartada, contida. Aqui em casa isso se chama bullying;
3. A criança vai aprender que pensar é uma coisa ruim, que se faz como punição.
Às vezes Cecilia dá muito trabalho. A punição (que existe, claro, a gente não é doido) nunca foi esse cantinho.
Às vezes ela fica bem quietinha. Nessas horas, a gente pergunta, numa brincadeira familiar: “O que você tá fazendo?”. De uns tempos pra cá ela responde: “Tô pensando!”. E sorri.
A gente sorri mais.
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